sábado, 9 de maio de 2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
CASA COM ALMA, CASA SEM ALMA .
Para refletir o que
seria uma casa com alma é fundamental, antes de tudo, tentarmos entender o
significado da palavra ALMA.
ALMA
= ÂNIMA que é o termo do latim que dá origem à palavra portuguesa “alma”,
e refere-se ao princípio que dá movimento ao que é vivo. Logo, “Alma” é aquilo
que é animado, ou o que confere movimento, que faz
mover.
Neste
caso, entende-se que uma casa com alma se caracteriza pelo fato de
que nela os moradores sentem que podem se mover livremente. Não apenas no
movimento físico, mas também da fluidez de emoções e pensamentos. Uma casa com
alma, portanto, é o espaço no qual os moradores exercem sem restrições os
movimentos que lhes são confortáveis, no qual se sentem confortáveis para
expressar suas características mais íntimas e particulares. A casa com alma é
feita da mesma substância da qual são feitos seus habitantes, ela não somente
reflete a personalidade dos moradores, mas nutre o universo mental
deles.
A
casa com alma abriga momentos que fortalecem a identidade de quem nela
vive. Como uma caixa de som, ela reverbera as ideias, os sentimentos e as ações
dos moradores. Como um espelho, ela reproduz os movimentos dos habitantes. Como
um jardim, a casa com alma oferece um solo fértil para germinar e florescer o
que faz seus habitantes felizes. Como um diário, ela registra as alternâncias
vividas pelos moradores em todas as áreas da vida. Ela se ilumina, se abre ou se fecha no ritmo das vivências dos habitantes. A casa com alma é
uma casa viva.
Sendo
assim, a alma de uma casa é cultivada pelo uso que os moradores fazem dos
ambientes nos quais habitam. Se ao usarem a casa os moradores fizerem o que
gostam, da forma que desejarem e no tempo que lhes for necessário, a casa estará em
movimento, será animada, terá alma. Se o uso cotidiano da casa, contudo, é
destituído do envolvimento afetivo e cognitivo de seus moradores o espaço
doméstico não terá vida, será um corpo sem alma.
Atualmente,
muitas casas tornaram-se meros dormitórios, espaços nos quais as pessoas apenas
dormem e fazem sua higiene pessoal. Para os habitantes dessas casas, o lazer, a
alegria, a diversão, o prazer, a busca de conhecimento, as relações pessoais,
os sonhos, o relaxamento, tudo é vivido fora da casa. Até mesmo a tristeza, a
dor, o sofrimento, a solidão, são expressos em outros espaços que não o
doméstico. Nestes casos, todas essas casas são hospedarias, mas não
lares.
Uma
casa sem alma, enfim, é aquela na qual os moradores não se sentem consistentes
com a própria natureza. Para que a casa tenha alma, seus habitantes precisam
poder e querer mover-se por ela em acordo com o que sentem e pensam. A vida de
uma casa, sua alma, portanto, é criada e cultivada pelas ações daqueles que a
habitam.
Do
ponto de vista simbólico, a casa representa a nossa psique, ou seja, as várias
instâncias da nossa mente consciente e inconsciente. Nesse sentido, a casa,
assim como a mente, expressa o conteúdo cogntivo e emocional que nos constitui
como indivíduos distintos do grupo. Psicologicamente falando, isso faz da casa
um repositório das nossas vivências físicas, afetivas e intelectuais.
A
nossa memória, nossa história de vida, encontra no espaço doméstico um lugar favorável
de expressão. Em função disso, a forma como organizamos nossa casa pode dizer
muito sobre como nos sentimos, como pensamos e como atuamos no mundo. A casa
seria quase um espelho da percepção que temos de nós e do mundo num determinado
momento da nossa vida. Ao mesmo tempo, a casa oferece pistas valiosas dos
valores e crenças que nos caracterizam num nível mais profundo, melhor dizendo,
o espaço que habitamos espelha tanto nossos comportamentos atuais quanto traços
mais permanentes da nossa personalidade.
Aprendendo
a nos perceber melhor, aprendemos também a perceber o outro e ao ambiente, nos
tornamos mais receptivos aos conteúdos subjetivos e objetivos do mundo à nossa
volta, pois esses conteúdos já não mais nos agridem ou sobrecarrega. Como em
nossa época ter tempo para si e para os outros é cada vez mais raro, a
simplicidade – seja na decoração, na arquitetura, ou no estilo de vida como na
forma de vestir-se, comer e divertir-se – surge como uma possibilidade de
aliviar nosso corpo e mente, restituindo às nossas vidas um pouco do tempo
roubado pelo excesso de tarefas profissionais, sociais e domésticas. Ou seja,
restitui à casa o lugar de refúgio e abrigo, que é tão essencial ao nosso
bem-estar físico e psicológico.
fonte
angelitascardua.wordpress.com
terça-feira, 14 de abril de 2015
Quando vc entra em casa vc se sente bem?
Vc já parou para se perguntar porque sua casa é sempre
uma bagunça ou porque a sua casa é sempre arrumadinha demais? Quando vc entra
em casa vc se sente bem? Já pensou nisto? Isto lhe incomoda?
Casa, lugar de privacidade, onde se faz necessário
protegê-la dos indiscretos olhares, porque ali, como já se sabe, revelam-se as
personalidades daqueles que a habitam.Tudo ali, compõem um relato de vida,
mesmo antes que seus moradores pronunciem a mínima palavra. Com um olhar mais
observador percebe-se rapidamente a confusão dos fragmentos de uma história
familiar, através de encenações destinadas a passarem ao visitante, imagens
positivas de cada componente, mas que ao mesmo tempo e involuntariamente
deixa-se escapar a maneira mais íntima de viver e de sonhar que cada um possui.
A casa é o território onde flutua um que, de perfume secreto, falando de um
tempo perdido, de um tempo que jamais voltará e que poderá também falar de um
outro tempo que ainda virá, um dia, quem sabe. Olhando - se mais profundamente,
percebe-se o quanto a casa não é discreta, pois ela confessa sem nenhum
disfarce até mesmo o nível de renda e as ambições sociais de seus moradores.
Tudo nela fala sempre e muito. Ela se transforma numa testemunha bem informada
e torna-se cúmplice de todas as atitudes de seus moradores. (Certeau, 2003).
Quando um indivíduo constrói ou decora sua casa ou mesmo
um ambiente, ele quer imprimir e se mostrar tal como é e também quer lembrar de
si mesmo e ter em sua mente como ele poderia idealmente ser. E complementa
afirmando que quando uma pessoa se identifica com determinada construção ou
decoração, é porque a arquitetura refletiu os valores daquela pessoa.
Para Botton (2007), uma fachada ou um interior de uma
edificação pode ser: aristocrática, esnobe, assustadora, ameaçadora ou
acolhedora, pode também remeter-se ao passado ou direcionar-se ao futuro. E
continua comentando que toda obra de arquitetura mostra uma visão ou não de
felicidade, acrescentando que o equilíbrio que se aprova na arquitetura, e que
se consagra com a palavra “belo”, refere-se a um estado que, num nível
psicológico, pode-se descrever como saúde mental ou felicidade.
Ao se deparar com um ambiente não agradável, sombrio e
mal tratado pode-se levantar uma ligeira desconfiança quanto ao que está
faltando na vida de quem ali habita, enquanto outro ambiente ensolarado,
revestido com belos tecidos e bem cuidado é capaz de dar sustentação às maiores
esperanças. E muitas vezes, uma simples mudança de iluminação, uma pintura na
parede ou apenas uma troca de um móvel de lugar em um ambiente, pode ser o
suficiente para proporcionar, mesmo que por pouco tempo, um bem estar imenso
naquele que ali habita.
Apesar de uma casa não dar soluções para uma grande parte
dos problemas que afligem seus ocupantes, seus aposentos podem ser as
evidências de uma felicidade ou de infelicidade, nas quais a arquitetura deu a
sua contribuição.
Acrescenta que a motivação dos moradores que vivem em uma
mesma casa, para explorar ou interagir com o mundo externo, tem a mesma
intensidade e a mesma dimensão dos sonhos que esta casa lhes permite abrigar.
Porém, Certeau (2003) em contra partida, chama atenção
por outro foco, quando observa que quanto mais exíguo se torna o espaço
próprio, mais ele é entulhado de aparelhos e de objetos. Sendo preciso
densificar estes lugares pessoais, materiais e afetivos para tornarem-se
territórios onde se possam enraizar o micro cosmos familiar, o lugar mais
privado e mais importante para seus moradores. A necessidade que muitas pessoas
têm de acumular muitos móveis, objetos e utensílios dentro de casa é
inversamente proporcional às áreas que estes habitam, não existindo equilíbrio
entre o interno e o externo. Os sonhos não realizados, a ganância do ter,
reter, de não abrir mão, falam mais alto dentro de cada uma e que acabam não
deixando espaços para que as energias afetivas e acolhedoras de um verdadeiro
lar possam fluir com harmonia. A mesma observação pode ser feita, quando
espaços amplos demais estão extremamente vazios, sem cor e sem objetos, levando
a se questionar o que poderá estar faltando a estes moradores diante de tanto
vazio físico.
Le Corbusier (1887 - 1965)
Personagem complexo, gênio criativo e extravagante espírito livre. Le Corbusier, pseudônimo de Charles - Edouard Jeanneret, nasceu em 6 de outubro de 1887 na cidade suíça de La Chaux-de-Fonds e é considerado o arquiteto mais importante do século 20. Foi o mais influente representante do movimento moderno, termo que engloba as diversas experiências arquitetônicas desenvolvidas a partir dos primeiros anos do século passado, voltadas à renovação das características expressivas, à racionalização dos elementos e à simplicidade funcional. Revolucionou o modo de pensar, projetar, construir, "sentir" a arquitetura e a cidade. Ele soube como ninguém conciliar as polaridades contidas nos elementos que caracterizam a modernidade: arte e técnica, regra e arbitrariedade, geometria e natureza, luz e sombra, continuidade e ruptura.
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