quarta-feira, 22 de abril de 2015

CASA COM ALMA, CASA SEM ALMA .



Para refletir o que seria uma casa com alma é fundamental, antes de tudo, tentarmos entender o significado da palavra ALMA.
ALMA = ÂNIMA que é o termo do latim que dá origem à palavra portuguesa “alma”, e refere-se ao princípio que dá movimento ao que é vivo. Logo, “Alma” é aquilo que é animado, ou o que confere movimento, que faz mover.            
Neste caso, entende-se que uma casa com alma se caracteriza pelo fato de que nela os moradores sentem que podem se mover livremente. Não apenas no movimento físico, mas também da fluidez de emoções e pensamentos. Uma casa com alma, portanto, é o espaço no qual os moradores exercem sem restrições os movimentos que lhes são confortáveis, no qual se sentem confortáveis para expressar suas características mais íntimas e particulares. A casa com alma é feita da mesma substância da qual são feitos seus habitantes, ela não somente reflete a personalidade dos moradores, mas nutre o universo mental deles.    
                                                                                                    
A casa com alma abriga momentos que fortalecem a identidade de quem nela vive. Como uma caixa de som, ela reverbera as ideias, os sentimentos e as ações dos moradores. Como um espelho, ela reproduz os movimentos dos habitantes. Como um jardim, a casa com alma oferece um solo fértil para germinar e florescer o que faz seus habitantes felizes. Como um diário, ela registra as alternâncias vividas pelos moradores em todas as áreas da vida. Ela se ilumina, se abre ou se fecha no ritmo das vivências dos habitantes. A casa com alma é uma casa viva.
Sendo assim, a alma de uma casa é cultivada pelo uso que os moradores fazem dos ambientes nos quais habitam. Se ao usarem a casa os moradores fizerem o que gostam, da forma que desejarem e no tempo que lhes for necessário, a casa estará em movimento, será animada, terá alma. Se o uso cotidiano da casa, contudo, é destituído do envolvimento afetivo e cognitivo de seus moradores o espaço doméstico não terá vida, será um corpo sem alma.
Atualmente, muitas casas tornaram-se meros dormitórios, espaços nos quais as pessoas apenas dormem e fazem sua higiene pessoal. Para os habitantes dessas casas, o lazer, a alegria, a diversão, o prazer, a busca de conhecimento, as relações pessoais, os sonhos, o relaxamento, tudo é vivido fora da casa. Até mesmo a tristeza, a dor, o sofrimento, a solidão, são expressos em outros espaços que não o doméstico. Nestes casos, todas essas casas são hospedarias, mas não lares.   
Uma casa sem alma, enfim, é aquela na qual os moradores não se sentem consistentes com a própria natureza. Para que a casa tenha alma, seus habitantes precisam poder e querer mover-se por ela em acordo com o que sentem e pensam. A vida de uma casa, sua alma, portanto, é criada e cultivada pelas ações daqueles que a habitam.
Do ponto de vista simbólico, a casa representa a nossa psique, ou seja, as várias instâncias da nossa mente consciente e inconsciente. Nesse sentido, a casa, assim como a mente, expressa o conteúdo cogntivo e emocional que nos constitui como indivíduos distintos do grupo. Psicologicamente falando, isso faz da casa um repositório das nossas vivências físicas, afetivas e intelectuais.
A nossa memória, nossa história de vida, encontra no espaço doméstico um lugar favorável de expressão. Em função disso, a forma como organizamos nossa casa pode dizer muito sobre como nos sentimos, como pensamos e como atuamos no mundo. A casa seria quase um espelho da percepção que temos de nós e do mundo num determinado momento da nossa vida. Ao mesmo tempo, a casa oferece pistas valiosas dos valores e crenças que nos caracterizam num nível mais profundo, melhor dizendo, o espaço que habitamos espelha tanto nossos comportamentos atuais quanto traços mais permanentes da nossa personalidade.
Aprendendo a nos perceber melhor, aprendemos também a perceber o outro e ao ambiente, nos tornamos mais receptivos aos conteúdos subjetivos e objetivos do mundo à nossa volta, pois esses conteúdos já não mais nos agridem ou sobrecarrega. Como em nossa época ter tempo para si e para os outros é cada vez mais raro, a simplicidade – seja na decoração, na arquitetura, ou no estilo de vida como na forma de vestir-se, comer e divertir-se – surge como uma possibilidade de aliviar nosso corpo e mente, restituindo às nossas vidas um pouco do tempo roubado pelo excesso de tarefas profissionais, sociais e domésticas. Ou seja, restitui à casa o lugar de refúgio e abrigo, que é tão essencial ao nosso bem-estar físico e psicológico.


fonte angelitascardua.wordpress.com




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