terça-feira, 14 de abril de 2015

Quando vc entra em casa vc se sente bem?


Vc já parou para se perguntar porque sua casa é sempre uma bagunça ou porque a sua casa é sempre arrumadinha demais? Quando vc entra em casa vc se sente bem? Já pensou nisto? Isto lhe incomoda?
Casa, lugar de privacidade, onde se faz necessário protegê-la dos indiscretos olhares, porque ali, como já se sabe, revelam-se as personalidades daqueles que a habitam.Tudo ali, compõem um relato de vida, mesmo antes que seus moradores pronunciem a mínima palavra. Com um olhar mais observador percebe-se rapidamente a confusão dos fragmentos de uma história familiar, através de encenações destinadas a passarem ao visitante, imagens positivas de cada componente, mas que ao mesmo tempo e involuntariamente deixa-se escapar a maneira mais íntima de viver e de sonhar que cada um possui. A casa é o território onde flutua um que, de perfume secreto, falando de um tempo perdido, de um tempo que jamais voltará e que poderá também falar de um outro tempo que ainda virá, um dia, quem sabe. Olhando - se mais profundamente, percebe-se o quanto a casa não é discreta, pois ela confessa sem nenhum disfarce até mesmo o nível de renda e as ambições sociais de seus moradores. Tudo nela fala sempre e muito. Ela se transforma numa testemunha bem informada e torna-se cúmplice de todas as atitudes de seus moradores. (Certeau, 2003).
Quando um indivíduo constrói ou decora sua casa ou mesmo um ambiente, ele quer imprimir e se mostrar tal como é e também quer lembrar de si mesmo e ter em sua mente como ele poderia idealmente ser. E complementa afirmando que quando uma pessoa se identifica com determinada construção ou decoração, é porque a arquitetura refletiu os valores daquela pessoa.

Para Botton (2007), uma fachada ou um interior de uma edificação pode ser: aristocrática, esnobe, assustadora, ameaçadora ou acolhedora, pode também remeter-se ao passado ou direcionar-se ao futuro. E continua comentando que toda obra de arquitetura mostra uma visão ou não de felicidade, acrescentando que o equilíbrio que se aprova na arquitetura, e que se consagra com a palavra “belo”, refere-se a um estado que, num nível psicológico, pode-se descrever como saúde mental ou felicidade.
Ao se deparar com um ambiente não agradável, sombrio e mal tratado pode-se levantar uma ligeira desconfiança quanto ao que está faltando na vida de quem ali habita, enquanto outro ambiente ensolarado, revestido com belos tecidos e bem cuidado é capaz de dar sustentação às maiores esperanças. E muitas vezes, uma simples mudança de iluminação, uma pintura na parede ou apenas uma troca de um móvel de lugar em um ambiente, pode ser o suficiente para proporcionar, mesmo que por pouco tempo, um bem estar imenso naquele que ali habita.

Apesar de uma casa não dar soluções para uma grande parte dos problemas que afligem seus ocupantes, seus aposentos podem ser as evidências de uma felicidade ou de infelicidade, nas quais a arquitetura deu a sua contribuição.
Acrescenta que a motivação dos moradores que vivem em uma mesma casa, para explorar ou interagir com o mundo externo, tem a mesma intensidade e a mesma dimensão dos sonhos que esta casa lhes permite abrigar.

Porém, Certeau (2003) em contra partida, chama atenção por outro foco, quando observa que quanto mais exíguo se torna o espaço próprio, mais ele é entulhado de aparelhos e de objetos. Sendo preciso densificar estes lugares pessoais, materiais e afetivos para tornarem-se territórios onde se possam enraizar o micro cosmos familiar, o lugar mais privado e mais importante para seus moradores. A necessidade que muitas pessoas têm de acumular muitos móveis, objetos e utensílios dentro de casa é inversamente proporcional às áreas que estes habitam, não existindo equilíbrio entre o interno e o externo. Os sonhos não realizados, a ganância do ter, reter, de não abrir mão, falam mais alto dentro de cada uma e que acabam não deixando espaços para que as energias afetivas e acolhedoras de um verdadeiro lar possam fluir com harmonia. A mesma observação pode ser feita, quando espaços amplos demais estão extremamente vazios, sem cor e sem objetos, levando a se questionar o que poderá estar faltando a estes moradores diante de tanto vazio físico.


2 comentários:

  1. Parabéns, Fatima! Muito sucesso em seu novo blog! Estarei acompanhando todas as postagens! Sinto-me bem em minha casa desde que foi feita a reforma muito bem planejada por você! Obrigada!!! beijos!

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  2. Que bom Andressa, fico feliz por isso. bjss

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